Vou ceder meu espaço publicando abaixo um excelente artigo de uma jorna-lista e advogada consciente, para mostrar minha indignação com a decisão do STF ao caçar o diploma de jornalista. Não sou jornalista, mas res-peito os jornalistas. À propósito, vem aí a 1ª Conferência da Comunicação no
Brasil. Governador, Prefeitos, sociedade organizada precisam mobilizarem-se para garantir a democracia na comunicação no Brasil.
Beijo grande no coração, Ana Maria Bittencourt Viana, Editora
A polêmica da exigência do diploma
para o jornalista
Por: Patrícia Regina de Souza - patidiou@hotmail.com
Jornalista pelo Centro Universitário UNI/BH e
Advogada pela UNA/BH
Muito se discutiu sobre a exigência do diploma universitário para exercer a profissão de jornalista. Alguns se posicionaram contra, outros favoráveis... Enfim, não precisamos polemizar. Afinal, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que não é necessário se dedicar a um curso universitário para ser jornalista.
Há nove anos exercendo a profissão, posso relatar o que senti frente a tal soberana decisão: um verdadeiro retrocesso. Primeiro, porque durante todos esses bons anos, já convivi nas redações de alguns veículos de comunicação, com profissionais gabaritados que exerciam, com maestria, a profissão de jornalista e não eram diplomados. Mas, acredito que as exceções não devem se tornar regras. Segundo, porque acredito que, a nossa Carta Magna é clara quando prevê no artigo 5º, inciso IX a garantia fundamental da livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação. Todos somos livres para expressar opiniões. É exatamente, por isso, que existem artigos como este e colunas de opiniões nos jornais. Mas, daí achar que qualquer pessoa pode sair por aí redigindo o que quiser, sem nenhum critério, é muito delicado. A liberdade sem preparo passa ser uma libertinagem.
Vocês já pararam para refletir o poder que o jornalista tem quando emite uma opinião? Certamente, somos formadores de opinião. A história do nosso país já demonstrou por diversas vezes esta atribuição. Pois bem, o que se aprende durante os quatro anos na faculdade faz toda a diferença para o exercício da profissão. Aliás, o conhecimento aliado à prática é indispensável para qualquer profissão. Uma situação que vivenciei como assessora de imprensa reafirmou esta convicção. Precisei retirar uma fonte de um programa de televisão ao vivo. Tive que agir com muito jogo de cintura e agilidade. Apenas a minha liberdade de expressão não seria suficiente para garantir o bom jornalismo. Tive a certeza que as antigas e longas aulas de Teorias da Comunicação e Ética foram e continuam sendo realmente necessárias.
Mas, o entendimento sobre esta questão já foi pacificado. Acredito que a rotina do jornalismo não mudará em nada. Uma vez que é quase impossível manter um jornalismo pautado na ética e qualidade sem pessoas preparadas. Por confiar que a faculdade abre a mente das pessoas e faz dos estudantes cidadãos de direitos e deveres é que qualifiquei como um retrocesso esta decisão. Se assim não pensasse, não teria passado uma década nos bancos da faculdade para estudar jornalismo e direito. Seria mais fácil ter seguido os conselhos da minha avó materna, que, quando criança já me dizia: “Minha neta, quem sabe nasce pronto!”. Mal sabia minha avó que, em se tratando do jornalismo, ela estava corretíssima! Portanto, nos tempos atuais, ninguém mais nasce analfabeto. Todos nascem jornalistas!